A reforma que foi apresentada no Congresso Nacional aborda muitas regras, por isso, para medir seu efeito integral sobre a distribuição de renda exigirá um estudo amplo que ainda não foi realizado pelos economistas.
Infelizmente o Brasil é o país das desigualdades e podemos observar essa situação também na previdência, pois há uma grande diferença no valor dos benefícios. Segundo cálculo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, a partir dos dados de 2016, o militar brasileiro recebia uma aposentadoria média mensal de R$ 10,3 mil, enquanto o servidor público ganhava R$ 9.000. Já a aposentadoria média paga pelo INSS era de R$ 1.290 no mesmo ano.
Um dos fatores que explicam os crescentes rombos na previdência é o envelhecimento da população, ou seja, mais pessoas se aposentam e recebem um benefício por mais tempo, para 2019 a previsão de alta de 10% elevando o valor para R$ 292 bilhões no caso da União.
Com a proposta atual o governo quer unificar a idade mínima para os trabalhadores civis (público e privado), 62 anos para mulheres e 65 para homens, fazendo com que se aposentem mais tarde.
No caso dos trabalhadores que pagam INSS, haverá também aumento do critério mínimo de 15 para 20 anos, o que prejudicará diretamente os mais pobres, em especial as mulheres.
Hoje, a grande maioria dos aposentados do INSS (85%) recebem um benefício de até dois salários mínimos e o pagamento médio em 2018 ficou R$ 1.722 na aposentadoria urbana. A nova regra de cálculo vai dificultar mais alcançar benefícios maiores, aproximando mais a média das aposentadorias do piso.
Em resumo, as mudanças propostas para tempo de contribuição e cálculo dos valores prejudicam todos os grupos. Os mais pobres ao exigir 20 anos de contribuição em vez de 15. E os trabalhadores de renda intermediária atendidos pelo INSS ao demandar mais tempo de trabalho para alcançar benefícios maiores. Os servidores também são afetados, mas a tendência é que continuem se aposentando com valores mais altos do que os atendidos pelo INSS, porque seus salários são em média maiores do que os do setor privado. Além disso, eles têm mais estabilidade (não alternam períodos desempregados e na informalidade), o que permite alcançar 40 anos de contribuição com mais facilidade.
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